Vigilância tecnológica
Detetar uma presença sem câmara nem cartão de acesso: as ondas WiFi como sensor
E se a sua presença pudesse ser detetada… sem câmara, sem cartão de acesso, sem que o soubesse? Não é ficção científica.
Hoje, certas tecnologias permitem analisar as perturbações dos sinais WiFi para detetar uma presença, movimentos ou uma estimativa do número de pessoas. O princípio é simples: o corpo humano modifica a propagação das ondas WiFi, e estas variações podem ser exploradas para transformar um ambiente num sensor.
Atenção às ideias feitas, no entanto:
- não, não é possível «espiar com precisão o vizinho» com um router doméstico clássico;
- não, isto não está facilmente ao alcance de quem não tem competências técnicas;
- em contrapartida, estas tecnologias existem mesmo e tornam-se progressivamente mais acessíveis.
É aí que começam as verdadeiras questões. Onde acaba a deteção e onde começa a vigilância? Como enquadrar estas utilizações no respeito do RGPD? Até onde estamos dispostos a aceitar estas tecnologias invisíveis?
Em contextos profissionais - supervisão, segurança, gestão de crise -, podem trazer um verdadeiro valor: sistemas reativos, automatização inteligente, melhor eficácia operacional. Mas, como qualquer inovação poderosa, devem ser utilizadas com responsabilidade.
A tecnologia avança depressa. O enquadramento, esse, tem de acompanhar.
Patrice Barrault, cofundador e diretor técnico da Easy Multi Display